dom. dez 15th, 2019

Basquetebol nos Estados Unidos.

A selecção masculina de basquetebol dos Estados Unidos é, tradicionalmente, um dos grandes atractivos de cada Jogos Olímpicos. No entanto, a selecção feminina é, ao nível dos resultados, um caso de sucesso ainda maior. Basta dizer que as americanas estão invictas em Jogos há 24 anos, desde Barcelona 1992. Aí conquistaram a medalha de bronze e, daí para cá, chegaram sempre ao ouro. Foi assim em Atlanta 1996, Sydney 2000, Atenas 2004, Pequim 2008 e Londres 2012, sempre com um percurso sem derrotas. Ao todo, e contando desde a sua primeira participação, em Montreal 1976, a selecção feminina norte-americana tem o impressionante registo de 58 vitórias em 61 jogos realizados. 

O destaque vai para a geração de 1995 e 1996, que tinha Lisa Leslie como melhor jogadora. Em dois anos, essa geração venceu os 62 jogos que disputou (52 particulares e oito nos Jogos de Atlanta) e foi apelidada de dream team. “Nunca houve uma equipa tão dominante nuns Jogos Olímpicos, em qualquer desporto, como a equipa feminina de basquetebol dos Estados Unidos de 1996”, recordou recentemente à ESPN, Geno Auriemma, que orientou aquela selecção em Sydney e Londres. Agora, a qualidade pode não ser exactamente a mesma, mas nem por isso as norte-americanas perdem jogos. No Rio já realizaram três e os encontros têm sido meras formalidades, com 121 pontos marcados ao Senegal, 103 à Espanha e 110 à Sérvia.

Mas, a nível de popularidade, a selecção masculina norte-americana bate aos pontos a feminina e isso deve-se muito à própria popularidade dos jogadores que a integraram ao longo dos anos. Falamos das grandes estrelas da NBA, dos melhores jogadores do mundo, como Bill Russell, Magic Johnson, Michael Jordan, Kobe Bryant ou LeBron James. Com nomes assim, não é de estranhar que os Estados Unidos, também em masculinos, tenham um percurso olímpico exemplar, com 14 medalhas de ouro em 17 participações e 132 vitórias em 137 jogos. Não estão há tanto tempo invictos como a selecção feminina, mas, mesmo assim, já lá vão 12 anos, desde Atenas 2004.

Do lado masculino, a equipa que mais impressionou foi a de 1992. Era o verdadeiro dream team, com Johnson, Jordan, Bird, Karl Malone, Scottie Pippen ou Charles Barkley, o melhor marcador da equipa em Barcelona. Nesses Jogos, o dream team marcou mais de 100 pontos em todos os oito encontros. “Aqueles rapazes eram de outro nível, de uma galáxia muito, muito distante”, recordou, em 2012, Herlander Coimbra, de Angola, o primeiro adversário dos Estados Unidos em 1992. “Era uma máquina perfeita de jogar basquetebol”, dizia também o então seleccionador de Cuba, Miguel Calderón Gómez. Na actualidade é a geração de Carmelo Anthony, Kevin Durant ou LeBron James (este não está nos Jogos) e o domínio continua. No Rio de Janeiro, os 119-62 à China e os 113-69 à Venezuela nem chegaram a cansar os norte-americanos. Na última madrugada houve novo teste, frente à Austrália.